Problemas alimentares na doença de Alzheimer: o que fazer quando o paciente não quer comer?

Sabemos que os problemas alimentares são um dos desafios que encontramos na doença de Alzheimer. Assim, resolvemos listar algumas sugestões que podem ser experimentadas por você para cuidar ou orientar quem cuida.

Como melhorar a situação de um paciente que não quer comer???
- Incentive algum exercício antes da refeição.
Lembre-se que o exercício pode fazer a pessoa sentir fome. Pessoas com Alzheimer podem fazer exercícios, sabia?
É relevante lembrar que: um “simples” banho já pode ser uma atividade motora para o paciente, uma forma de gastar energia e ajudar a sentir fome.
- Monitore a interferência das medicações.
Alguns medicamentos interferem com o apetite. Leia sobre os efeitos colaterais dos medicamentos que o paciente está tomando. Discuta com o médico a falta de interesse em comer, pois a partir disto o profissional pode precisar alterar a medicação.
- Capriche no cardápio do paciente.
Qualquer pessoa sente-se estimulada a comer quando está diante dos seus sabores preferidos, concorda? Sendo assim, seu conhecimento sobre as necessidades nutricionais e sobre os “pratos preferidos” pode ser uma combinação perfeita.
Um Nutricionista é essencial para saber se o que o paciente está comendo é suficiente ou se ele precisa de algum complemento alimentar.   Sendo assim, ele pode te ajudar muito!!
-  Fique atento a quem está dando a refeição.  
Observe se paciente com Alzheimer não gosta da pessoa que está o alimentando (ou está em uma fase difícil com esta pessoa – o que pode acontecer), pois a recusa em se alimentar pode não ter relação com o alimento, mas com quem o está oferecendo.  Se preciso, tente uma pessoa diferente para oferecer a alimentação!
- Reduza distrações no ambiente em que ocorrem as refeições.
Preste atenção se o processo de alimentar o paciente não está sendo prejudicado por distrações nesse contexto. Uma TV ligada, uma conversa paralela ou uma pessoa que está por perto pode ser o motivo de distração. Lembre-se que o que para você pode não ser uma distração, para a pessoa com Alzheimer pode ser! Ou seja, o ambiente está adequado????
- Evite o alimento muito quente ou muito frio, uma vez que podem ser desagradáveis. 
Sempre é necessário conferir a temperatura do alimento e tentar fazer a relação entre esta e a recusa de comer.
- Alimentar o paciente com estímulos associados.
Tente dar ao paciente pequenas colheradas e enquanto isso, cante com ele, faça perguntas, crie um momento de diversão que pode ajudar na hora da alimentação. Leve a pessoa a sorrir ou a falar para que a boca se abra e você possa aproveitar e colocar um pouco de comida na boca. Claro que precisamos de delicadeza enquanto fazemos isso, lembre-se que isso é uma ajuda para introduzir o alimento, não é para forçar o paciente a comer e criar uma situação de estresse.
- Use utensílios adaptados.
Pode ser que você precise usar talheres menores, copos com alças e outros utensílios adaptados. Um terapeuta ocupacional pode te ajudar a definir o que é necessário a partir de uma avaliação do processo de alimentação.
- Monitore a mastigação e a deglutição.
A mastigação e a deglutição podem ser afetadas ao longo da progressão da doença de Alzheimer. Pode ser necessário dar instruções sobre quando mastigar e quando engolir.
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Além das sugestões colocadas acima, consultamos Dr. Antônio Rodrigues, terapeuta ocupacional e gerontólogo, sobre o assunto e ele nos deu as seguintes sugestões:
1. Primeiro, deve-se observar a prótese dentária e a cavidade oral, pois uma prótese folgada ou uma lesão na cavidade oral podem ser a causa da dificuldade na alimentação.
2. Se a dificuldade é uma apraxia (que de uma forma bem simples, pode ser definida como “não lembrar de como se faz o movimento”), podemos pedir ao cuidador para ficar na frente do paciente e realizar o movimento para que o paciente tente repetir. Uma outra ação que pode ser realizada pelo cuidador é iniciar o movimento do braço do paciente, guiando a mão ou o próprio braço até a boca. Depois de realizar esse movimento inicial, o cuidador deve observar se o paciente consegue “entrar no automático” e continuar sozinho.
3.  Deve-se também verificar como está sendo servido o prato do paciente. O prato deve chamar atenção do paciente, por exemplo, utensílios de cor e alimento colorido que a pessoa gosta. É importante pesquisar os alimentos que a pessoa gostava para ter pelo menos um pouco no prato que é servido.
Dr. Antônio ainda ressalta,  ”deve-se observar o tempo da alimentação do paciente”. Caso o paciente esteja comendo sozinho e gastando mais de 1hora, vamos questionar a relação custo-benefício dessa alimentação independente. Provavelmente, ao levar todo esse tempo para se alimentar de forma independente, ele esta gastando mais energia do que consumindo durante a refeição.
A apatia (que é uma possível alteração de comportamento na doença de Alzheimer) pode ser o motivo da dificuldade na alimentação. Sendo assim, mais uma vez, mostra-se importante conversar sobre esse problema com os profissionais que acompanham o cliente.

Outras questões que devem ser consideradas:
- Pode chegar um momento em que é necessária a transição do alimento sólido para o pastoso. Nos estágios mais avançados da doença de Alzheimer a pessoa não pode mais engolir alimentos e pode engasgar com comida. Problemas em engolir pode causar infecções respiratórias, o paciente pode levar alimentos ou líquidos para dentro dos pulmões. Sendo assim, a dificuldade de alimentar precisa ser vista e discutida com a equipe que atende o paciente, não deixe de fazer isso!!
- Não se esqueça de cuidar de si mesmo!!
Cuidar de um ente querido com demência pode ser extremamente exigente e estressante. Cada dia pode trazer mais desafios e níveis mais elevados de ansiedade. Infelizmente, quando você está estressado e cansado, você perde a capacidade de manter a qualidade do seu cuidado e o paciente, inevitavelmente, percebe. Este por sua vez, em pode aumentar os próprios níveis de estresse e aumentar o seu “comportamento problema”.
Cuidar de si mesmo, obter ajuda e apoio é essencial para o seu bem-estar e para a qualidade de vida da pessoa que você cuida.
Fonte: http://www.reab.me/problemas-alimentares-na-doenca-de-alzheimer-o-que-fazer-quando-o-paciente-nao-quer-comer/
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