Colete para estudos sobre escoliose é desenvolvido



Pesquisadores da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep) desenvolveram um sistema de coletes plásticos para induzir em ratos deformações na coluna semelhantes às que acometem pessoas com escoliose.
O objetivo do trabalho, que contou com apoio da FAPESP, é aperfeiçoar os modelos animais usados em pesquisas feitas para avaliar a eficácia de tratamentos contra a doença. E também investigar os efeitos dessa alteração nos músculos e no sistema cardiorrespiratório.
Os resultados foram divulgados em artigo publicado na Revista Brasileira de Fisioterapia.
“Há na literatura diversos modelos experimentais para induzir a escoliose em ratos, mas são todos muito invasivos. Alguns envolvem a sutura de músculos, outros a remoção cirúrgica de estruturas ósseas ou o uso de drogas para deformar os tecidos. Nós desenvolvemos um método não invasivo e de baixo custo”, contou o pesquisador Carlos Alberto da Silva.
No modelo criado pelo grupo de Silva, os animais foram imobilizados durante 12 semanas – a contar do desmame aos 21 dias de idade – por dois cintos (escapular e pélvico) feitos de policloreto de vinila (PVC). As placas de PVC foram interligadas externamente por um arame usado para regular a curvatura da coluna com convexidade à esquerda.
“Desenhamos o colete no computador, após analisar todas as medidas dos ratos, como comprimento, distância entre os membros posteriores e distância entre os membros anteriores. Todas as semanas o colete foi substituído para acompanhar o crescimento do animal e manter a escoliose na coluna. O ajuste, portanto, foi feito individualmente e a cada semana”, disse.
Mais de 30 tipos de materiais foram testados – entre eles diversos tipos de borrachas e resinas odontológicas – até chegar às placas de PVC. Além de ter a dureza e a flexibilidade necessárias, o material não machuca o animal e tem baixo custo.
“Alguns autores sugerem que seis semanas de imobilização seriam suficientes para induzir a escoliose no animal. Mas quando fazíamos a retirada do colete após esse período os ratos recuperavam o ângulo normal da coluna. Percebemos então que eram necessárias 12 semanas para ocorrer a calcificação dos ossos”, disse Silva.
Exames radiológicos indicaram que o modelo foi eficaz na indução da escoliose mesmo 30 dias após a retirada do colete. O método já foi usado em duas dissertações defendidas no programa de Mestrado em Fisioterapia da Unimep que tinham como objetivo avaliar os benefícios de alongamentos no tratamento da escoliose.
“Como as medidas dos coletes estão todas descritas no artigo, o modelo pode ser replicado por qualquer pesquisador interessado”, disse Silva. Também participaram do trabalho os pesquisadores Rinaldo Guirro, da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto, Eder João Arruda e Gabriel Borges Delfino, ambos da Unimep.
A escoliose é uma alteração estrutural tridimensional da coluna, caracterizada principalmente por um desvio lateral. Pode ter início ainda na fase de crescimento e afeta cerca de 3% dos adolescentes, sendo mais comum em mulheres. A doença é multifatorial e, embora alguns autores apontem fatores genéticos, ainda não se sabe ao certo o que faz com que o problema se instale.
Segundo Silva, a condição é potencialmente progressiva e, se não for tratada adequadamente, pode comprometer o funcionamento do sistema cardiorrespiratório.
“A fisioterapia dispõe de diversas modalidades terapêuticas, como a reeducação postural, alongamento muscular e exercícios para reduzir as curvaturas escolióticas e deixar a coluna o mais próximo da neutralidade. Nos casos mais graves, é indicado o uso de coletes por 16 horas diárias ou mais. O não sucesso dessa intervenção pode acarretar até mesmo em cirurgias para a colocação de placas e pinos”, disse.

Fonte: http://agencia.fapesp.br/16660

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